Pouco conhecida no Brasil, a importante premiação internacional Gourmand Awards Cookbook é dirigida por um visionário chamado Eduard Cointreau, responsável por eleger o que há de melhor no mundo literário de gastronomia. E isso não é pouca coisa, pois o prêmio recebe mais de 5.000 títulos anualmente, que chegam do mundo todo, para disputar algo como os 50 melhores, em várias categorias.

O mercado de livros de gastronomia cresce na medida em que as pessoas buscam não apenas receitas, mas um estilo de vida onde esses livros são uma fonte de inspiração, e esse termo “Cozinhando com Palavras”, usado pela primeira vez por Cointreau, é a melhor expressão dessa receita que mescla tão bem o livro à gastronomia. É portanto uma homenagem usar essa expressão para batizar esse nosso inédito evento, que ocorre sinalizando novos ares, de aromas e sabores, na 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

O evento tem duas vertentes: no Pavilhão da Bienal, no Anhembi, de 13 a 22 de agosto, temos o Espaço Gourmet Sensações onde ocorrerão quarenta workshops e debates com a presença de grandes autores de obras gastronômicas,
e personalidades da área.

 

De 9 a 22 de agosto, em dezesseis destacados restaurantes de São Paulo, iremos comemorar a festa da literatura em nossa cidade, homenageando grandes autores, brasileiros e do estrangeiro, através de menus baseados em citações gastronômicas pesquisados em suas obras. É o Festival Cozinhando com Palavras.

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O casamento entre literatura e sabor vem de longe, nos antigos textos da bíblia ou em clássicos gregos, a comida, a bebida e a imaginação do homem caminham desde sempre juntos. A cultura nada mais é que a grande sopa que cada povo cozinha no fogo da história, na grande panela que são seus recursos, seu terroir, suas sensações e sabores que passam pelas gerações.

Existe um livro pouco conhecido, na verdade um diário manuscrito, um livro de registro de visitas, que foi editado em fac-símile, com o auspicioso nome de “O perfeito Cozinheiro das almas” um grosso caderno que recebia anotações de todos visitantes da “garçonière” de Oswald de Andrade, o inspirador da Antropofagia Cultural.

Pena Oswald não ter nos deixado anotações de cunho propriamente gastronômico, mas não resta dúvida do seu apreço por boa comida e como bom “antropófago” sabia bem que se “devora palavras”, que se “abocanha conceitos”, que se “degusta pensamentos”, que se come com o pensar. Pois que a alma, como o estômago, digere o alimento que se leva a elas, sólidos ou do espírito, o alimento nutre a vida e essa celebração dos sentidos leva ao brinde: Saúde! e disso nasce todo prazer da vida

Em fevereiro deste ano, durante a Paris Cookbook Fair, a presidente da CBL Rosely Boschini e o seu vice, o editor Marcus Vinicius, me fizeram o convite para fazer a curadoria deste evento e a eles agradeço esta oportunidade de “cozinholizar” um pouco, de por no caldeirão essa sopinha de letras, mas das bem encorpadas, e esperamos que nossa equipe de cozinhólogos possam atender ao apetite de tantas almas, tanto apetite cultural, e que se coma e se beba dos livros para que a nação cresça com inteligência, força e sabor!

 

André Boccato
Curador