Vinícius de Moraes (Rio de Janeiro, 1913 – 1980),“poeta e diplomata e o branco mais preto do Brasil”,  como ele se apresentava na famosa composição Samba da Benção,  teve uma das mais marcantes presenças e influência na história da poesia do séc. XX e da música brasileira. Publicou os primeiros livros de sonetos já nos anos 30; seguiu carreira diplomática transferindo-se para o exterior, mas de volta ao Brasil, viria a conhecer Tom Jobim, que musicou sua peça teatral, Orfeu da Conceição, e com quem faria parcerias históricas: em 1958, com o LP Canção do Amor Demais, que inclui a música Chega de Saudade, composição da dupla, em gravação de João Gilberto, dando inicio ao movimento da Bossa Nova; e mais tarde, Garota de Ipanema, até hoje a música brasileira mais executada no mundo.
Poeta integral, amante da beleza feminina  e sendo um bon vivant irredutível, Vinicius de Moraes adorava comer bem. E nomeou seus pratos prediletos em uma porção de poemas, chegando ao requinte de compor uma receita inteira, em todos os detalhes culinários, na letra para a música ‘Feijoada a Minha Moda’.

Este Menu baseia-se no Livro “Para Viver Um Grande Amor” – de Vinícius de Moraes
Publicação atual da Editora Companhia das Letras – A primeira edição deste livro de crônicas e poemas de Vinicius de Moraes é de 1962.

As receitas para o menu foram inspiradas na letra do poema, que mais tarde seria musicado pela a fértil parceria com o violonista Toquinho, “Para Viver um Grande Amor”.  A lista para providenciar os bons petiscos e ir para a cozinha para preparar as recomendadas “comidinhas para depois do amor” é longa e saborosa, incluindo é claro, o inseparável whisky do poeta – ao qual ele se referia como “o cachorro engarrafado – ou o melhor amigo do homem”

 

Hours d’ouvres
Torradinhas com ovos mexidos
do livro e poema “Para Viver um Grande Amor”
 Entrada
Sopinha de macarrãozinho R$29,00
(“sopinhas” – citada no mesmo poema – também deviam seguir o mesmo padrão de comidinha cotidiana carioca do autor: era e é ainda comum, preparar uma sopa ou com caldo de carne, ou com caldo de feijão, e então acrescentar aquele macarrão miudinho, próprio para sopa; daí que esta é a sugestão mais que lógica, ao invés de alguma receita de sopa muito sofisticada – que decididamente não combina com o estilo ‘botequim chique’ – vide o bar Veloso, em Ipanema -  do poeta. )
Ou
Camarõezinhos à provençal R$ 39,00
(citado no poema   - “camarõezinhos” -  era e é aperitivo que não faltava nos bares e restaurantes cariocas e geralmente servido à provençal, ou seja frito com bastante alho picado e salsinha verde bem picadinha por cima)

Prato principal
Galinha ao molho com rica e gostosa farofinha R$ 42,00
(citado no poema do mesmo livro – obs. :  uma receita de galinha refogada ao molho, com temperos e molho bem ao jeito brasileiro e acompanhada de uma bela farofa, enriquecida com ovos, temperos, azeitonas, bacon, etc.; servir, é claro, com arroz  branquinho e bem soltinho...)
Ou
Estrogonofe com batatinhas coradas e arroz -  R$39,00
(pratos citados no poema do mesmo livro – uma mistura bem brasileira, e bem carioca, porque nessa época o tal prato estrogonofe foi mesmo assimilado no cardápio das famílias de classe média brasileira, como prato ‘chic’)
Ou
Tutuzinho com torresmos e couve refogada R$ 36,00
(citado no mesmo poema  – a sugestão é servi-lo com couve refogada, acompanhamento comum nos botecos cariocas que o poeta tanto amava)
Sobremesa
Papos de Anjo R$ 14,00
“Papos de Anjo” era um dos doces favoritos do poetinha – ele menciona este doce tradicional na mesa brasileira numa gravação histórica: o LP gravado na boate Zum Zum, do Rio de Janeiro, em show que fazia naquela casa noturna, no ano de 1967, acompanhado pelo Quarteto em Cy e pelo Tamba Trio  – Ele vai lendo uma longa carta que ele escreveu ao Tom Jobim, quando estava em Paris, num dia de inverno, e com muitas saudades do Brasil:  entre outras coisas que Vinicius sentia falta, ele escreveu, é que gostaria de estar numa banheira quente, o whisky do lado, e saboreando... “papos de anjo! 

 

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