No comando do restaurante há 5 anos, Rodrigo Oliveira, paulistano de 28 anos, é o responsável pelo novo momento do Mocotó. Filho de Seu Zé Almeida, começou cedo na lida do comércio e aos 13 anos já ajudava no armazém do pai. Lavou pratos, limpou banheiros, atendeu mesas, fez serviços de manutenção e tudo o mais que se pode fazer num restaurante.

Mas como Seu Zé queria antes de tudo ver os filhos formados, Rodrigo tratou de estudar. Não demorou muito, quando o pai viajou a Pernambuco pra cuidar da fazenda que tem lá no sertão, o menino largou a faculdade de Engenharia Ambiental e foi correr atrás do seu sonho. Muitas madrugadas adentro com pedreiros, encanadores e eletricistas e o boteco já ia se ajeitando.

Quando o fundador da casa chegou, tomou um susto. E o filho tomou uma bronca. “Pra que isso?!”, dizia o pai. Mas com a certeza de que estava no caminho correto, Rodrigo foi em frente. Andava meio aborrecido com os puxões de orelha do patrão e foi estudar Gestão Ambiental, mas claro, sem abandonar o serviço. E por ironia do destino foi lá que conheceu a Gastronomia, ficou amigo de um sujeito que cursava a faculdade. “Gastronomia?”, pensou Rodrigo, “Que será isso?”.

Lendo tudo o que podia e fazendo as primeiras visitas a restaurantes, não teve dúvidas, “É isso aí, Gastronomia!”. E foi na faculdade que teve contato com as grandes cozinhas do mundo, ingredientes diferentes e novas técnicas. Pra complementar a formação, mesmo depois de ter seu restaurante bem estabelecido, foi atrás de estágios com alguns dos maiores chefs da cidade. Para conhecer melhor as origens da sua cozinha, viajou sozinho pelo Nordeste, visitando restaurantes, indo a mercados e feiras livres. Rodrigo também decidiu sair pelo país para conhecer a fabricação de cachaça, uma de suas paixões. Em suas inúmeras viagens ele já rodou quase 30 mil quilômetros e foi se aprofundando no assunto.

Ainda assim, o chef diz que isso tudo é só o começo: “Há 5 anos, no Mocotó éramos eu e mais três pessoas, hoje somos mais de 30. Faz pouco tempo que consegui me desvencilhar das outras ocupações do restaurante e me dedicar integralmente à cozinha, meu grande desejo desde sempre. Há muito trabalho pela frente, muito o que aprender e muito a apresentar da nossa cultura”. Com a humildade e o gosto pelo trabalho herdados do pai, Rodrigo e sua comida estão conquistando o mundo. O Mocotó já é notícia em várias partes do globo e gente de todo canto vem provar suas iguarias.

Sucesso de crítica e de público, o restaurante está sempre lotado. Democraticamente, gente de todas as tribos e classes sociais divide-se entre mesas e balcão. Entre um prato e outro, uma talagada de cachaça. Em cada bocado, um tanto de saber outro tanto de amor. Esse é o sabor do Mocotó. Nas palavras do chef, a receita do sucesso:

“Temos muito orgulho do nosso trabalho e dessa repercussão toda, mas não nos deslumbramos com isso. A receita para manter uma casa por tanto tempo tem dois ingredientes principais: boa comida e hospitalidade. Mesmo parecendo simples, é algo que só se consegue com muito trabalho, sacrifício e, acima de tudo, paixão”.


Fonte: http://www.mocoto.com.br/novo.html

 

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